O Podáali – Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, participou da 25ª sessão do United Nations Permanent Forum on Indigenous Issues, realizada entre 20 de abril e 1º de maio, em Nova York, somando a voz dos povos indígenas da Amazônia brasileira aos debates globais sobre direitos, territórios e financiamento climático.

A agenda do Podáali teve como foco articulações, participação em eventos sobre financiamento e debates sobre o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), iniciativa em construção para mobilizar recursos para a conservação de florestas tropicais, cuja governança vem debatendo a participação de povos indígenas e comunidades locais.

Nesse processo, representantes indígenas têm discutido contribuições para instrumentos operacionais, estratégias de preparação e mecanismos de participação dentro da arquitetura do fundo.

Representando o Podáali, a conselheira orientadora, Alana Manchineri, participou no 25 de abril de um evento paralelo chamado “Do lançamento à preparação: Compreendendo o mecanismo de alocação financeira para os Povos Indígenas e as Comunidades Locais (PICLs) do TFFF e seus próximos passos”, em Nova York, no qual destacou as experiências do fundo como modelo de referência ao financiamento direto para dentro dos territórios. “Desde a sua fundação, o Podáali já executou mais de três milhões de dólares em apoio direto aos territórios nos 9 estados da Amazônia brasileira”.

“O Podáali tem uma especificidade em que nossos povos podem inscrever seus projetos e iniciativas, sem burocracia, em um modelo simples e variado a partir de suas realidades, diferente de muitos exemplos de fundos que temos em vários países”, afirmou.

O fundo indígena participou também de uma reunião interna realizada no dia 28 de abril, em Washington D.C, que discutiu a versão preliminar do capítulo sobre os Povos Indígenas e as Comunidades Locais do Manual de Operações do TFFF. 

Alana destacou que o novo modelo de financiamento climático “deve assegurar que nós, povos indígenas, definamos o formato e a metodologia de aplicação e execução de recursos, sempre respeitando nossos próprios tempos, especificidade, governanças e diversidades culturais, linguísticas e territoriais”, apontou Manchineri.

Segundo a liderança, a construção do TFFF precisa estabelecer políticas de salvaguardas na implementação do mecanismo e que seja evitado receber aportes de indústrias que causam impacto aos territórios e recursos indígenas. Ela destacou ainda que a estratégia das agências implementadoras precisa ser reconhecida pelos resultados das iniciativas chegarem aos territórios. 

 

Alana explicou que isso passa pela construção de mecanimos próprios, definidos a partir do diálogo com povos indígenas e comunidades locais, que são quem sustenta, na prática, as respostas às mudanças climáticas. “No Brasil, nós temos a Rede de Fundos Comunitários, onde os fundos que são tanto indígenas, como de comunidades locais não disputam recurso, mas atua como uma rede no processo de fortalecimento de acesso direto para as organizações. É um exemplo de como nós já sabemos desenhar os nossos próprios mecanismos, entendendo nossa diversidade entre povos indígenas”. 

A participação do Podáali se soma às articulações internacionais que vêm defendendo o reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas na proteção da biodiversidade e na formulação de respostas para a emergência climática. Ao longo da programação, o fundo acompanha e contribui com debates sobre mecanismos de financiamento direto para povos indígenas e comunidades locais, agenda estratégica para fortalecer soluções construídas a partir dos territórios. A participação fortaleceu a incidência do fundo em espaços estratégicos onde se discutem caminhos para ampliar o reconhecimento e o apoio direto às soluções construídas desde os territórios.

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