Em Brasília, foi realizada, nos dias 03 e 04 de abril, a 11ª Reunião do Conselho Deliberativo do Podáali, reunindo conselheiras e conselheiros para alinhar estratégias e fortalecer a governança institucional.
Durante os dois dias, as lideranças refletiram sobre os caminhos para a construção do planejamento estratégico do Podáali para o ciclo 2027–2030 e, para orientar os próximos passos, revisitaram o ciclo 2023–2026 como base para sua construção futura. Também foram apresentados os avanços da 3ª Chamada do Podáali, que seguirá para a divulgação das propostas selecionadas, destacando a importância da transparência desses processos no âmbito do Conselho.
Apoiar os povos indígenas da Amazônia é uma das principais missões do Podáali, e neste sentido, durante a reunião foram compartilhados e debatidos com os conselheiros os caminhos para a captação de recursos junto a fundos internacionais, incluindo processos de acreditação, além de outras modalidades de apoio, reforçando as reflexões que o fundo já vem construindo sobre esses formatos.
Visando o fortalecimento da estrutura de governança, a reunião contou com a indicação e eleição de membros titulares e suplentes do Conselho Fiscal, além da indicação para o cargo de Diretor/a Secretário/a.
Outro ponto de destaque foi o fortalecimento das organizações da rede indígena, trazendo ao centro do debate como o Podáali pode apoiar, de forma estratégica, o desenvolvimento institucional dessas organizações.
Com objetivo de refletir sobre os mecanismos indígenas, foi apresentado aos conselheiros os fundos indígenas existentes e a importância da caminhada coletiva para incidir em diversos espaços para acesso ao financiamento.
Ainda no âmbito das reflexões sobre fundos, foi trazido ao diálogo o acompanhamento de fundos não indígenas pelo Podáali, com o propósito de atualizar os conselheiros sobre essas discussões e sobre como o fundo indígena vem se posicionando e construindo suas estratégias nesse cenário.
Para o presidente do Conselho Deliberativo e coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, a reunião reforça a importância do Podáali como braço técnico do movimento indígena, sendo este um espaço fundamental para refletir sobre os caminhos já percorridos e projetar avanços no apoio aos territórios.
“Estamos dialogando sobre diversos pontos e apresentando propostas para aprimorar nosso mecanismo. Embora não tenha atuação política, o Podáali implementa, na prática, as políticas construídas pelo movimento indígena, especialmente por meio do financiamento direto às iniciativas nos territórios. É dessa forma que avançamos de maneira conjunta”, destacou.
A reunião contou ainda com espaços de escuta e diálogo, nos quais conselheiras e conselheiros compartilharam análises sobre as realidades de seus territórios, fortalecendo a construção coletiva e o alinhamento institucional do Podáali.
A diretora executiva do Podáali ressaltou a importância de olhar para os processos internos do fundo, especialmente no que se refere à construção de documentos, normas e à sua atuação na mobilização de recursos, destacando a necessidade de constante aprimoramento a partir das demandas do movimento indígena.
“É fundamental estarmos nesse espaço de diálogo e escuta com as lideranças que compõem o Conselho, pois é aqui que construímos coletivamente as propostas para a realização de chamadas, o fortalecimento da estrutura institucional e a articulação com parceiros. A reunião do Conselho é uma instância essencial para o bom andamento do fundo indígena, com autonomia e autodeterminação”, destacou a diretora.
O líder indígena e conselheiro pelo estado do Acre, Chico Apurinã, reforçou a atuação do Podáali no avanço da garantia dos direitos territoriais.
“Reforçamos a importância de garantir os direitos territoriais dos povos indígenas, e o Podáali já vem cumprindo esse papel por meio de projetos como o ‘Garantindo os Direitos Territoriais’, fortalecendo iniciativas de proteção dos territórios”, destacou.
A realização da reunião reafirma o compromisso com uma gestão participativa, transparente e orientada pelo diálogo com os territórios, fortalecendo a atuação institucional em defesa dos direitos e do bem viver dos povos indígenas.



