Em construção coletiva, tal como uma farinhada, o Podáali realizou, entre os dias 12 e 14 de agosto, em Imperatriz (MA), a oficina de construção do seu Planejamento Estratégico para o período de 2027 a 2030. O momento foi marcado pela presença de conselheiros deliberativo, fiscal e orientador, equipe técnica, diretoria, Rede de Fundos comunitários ( Puxirum, Dema, Rutî, Firn) Pakará e parceiros em um espaço de diálogo, avaliação e construção coletiva sobre os próximos caminhos do Fundo.

A oficina deu continuidade ao processo iniciado na primeira etapa do planejamento feito em Manaus, e teve como foco olhar a trajetória do Podáali nos últimos quatro anos, e a partir dos aprendizados e desafios identificados, construir os objetivos, ações estratégicas e metas que deverão orientar a atuação da organização no próximo ciclo. 

Momento de abertura do planejamento estratégico

Durante a programação, houve também uma análise dos contexto geral, da filantropia e do movimento indígena no Brasil. Também foram trabalhadas em grupo as Ações estratégicas e Metas por eixos  e, além da análise de riscos e da definição de prioridades para os próximos quatro anos. 

Para o presidente do Conselho Deliberativo do Podáali e Coordenador da Coiab, Toya Manchineri, o planejamento representa uma oportunidade de ampliar o alcance do Fundo e fortalecer a chegada de recursos aos territórios.

Presidente do conselho deliberativo e coordenador geral da Coiab, Toya Manchineri.

“Agora é olhar para a frente e ver o que podemos avançar em termos de melhoramento, de captação, novas perspectivas que temos para frente e fazer com que o Podáali chegue muito mais ainda com recursos nos territórios indígenas.”

Para a diretora executiva do Podáali, Valéria Paye, refletir sobre a caminhada do Fundo é fundamental, especialmente porque sua história é marcada pela construção coletiva e pelo planejamento. Nesse sentido, pensar os próximos passos também não poderia ser diferente: deve ser a partir da escuta, do diálogo e da participação de diferentes atores que fazem parte dessa trajetória.

“Reunir conselheiros, convidados, outros fundos indígenas e comunitários é essencial para promover uma escuta qualificada e ampliar as reflexões sobre os processos do Podáali. Esse diálogo nos permite identificar aprendizados, desafios e oportunidades de aprimoramento, contribuindo para fortalecer a nossa próxima caminhada que de fato seja o lema, de indígena para indígena.”

A avaliação dos últimos quatro anos demonstrou a ampliação da presença do Podáali nos territórios. 

Para o líder e Conselheiro Deliberativo do Podáali, Chico Apurinã, a avaliação dos resultados do primeiro planejamento foi fundamental para projetar o próximo ciclo.

“Foi importante porque a gente fez uma base de avaliação do resultado do primeiro planejamento de quatro anos, olhando para os avanços e os desafios. Muito importante para que a gente pudesse projetar o planejamento de 2027 a 2030. A gente tem muita atividade sendo implementada nas aldeias, projetos chegando na base territorial da nossa organização, COIAB. Isso é o que tanto era cobrado pelas lideranças.”

A construção do planejamento também foi acompanhada por representantes da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia. Para Graça Costa, do Fundo Dema, a participação possibilitou uma importante troca de experiências e evidenciou o crescimento do papel do Podáali no cenário dos fundos comunitários.

Graça costa, do Fundo Dema

“O Podáali, nesses quatro anos, cresceu de importância. Ele cresceu na sua representação como um instrumento financeiro, mas não apenas isso, para possibilitar o acesso de recursos aos povos indígenas da Amazônia.”

Graça também ressaltou que a experiência acumulada pelo Fundo pode contribuir para o fortalecimento de outras iniciativas de financiamento comunitário.

 

 

 

“O Podáali assume também um papel de oferecer, multiplicar essa experiência. Portanto, eu saio daqui com essa expectativa de que daqui a pouco tempo nós teremos sistematizações, propostas promovidas pelo Podáali de todas as formas, não só escritas, mas outras formas de sistematização que podem colocar esses aprendizados a serviço de outros fundos.”

A atuação do Podáali como mecanismo financeiro do movimento indígena também foi destacada por Aurélio Viana, integrante do Conselho Orientador e também representante da Tenure Facility. 

Para ele, a experiência do Fundo tem contribuído para demonstrar, na prática, caminhos para ampliar o acesso direto dos povos indígenas a recursos.

“O Podáali, como mecanismo financeiro indígena, está colaborando e vai colaborar mais, certamente vai colaborar mais, nos próximos quatro anos, no desenho e influenciando o desenho de todos os mecanismos de apoio direto aos povos, organizações e territórios indígenas.”

Para Aurélio, essa experiência está diretamente relacionada à luta dos povos indígenas pela autonomia.

“Porque o Podáali está mostrando o como fazer, ao fazer. E não apenas imaginando o como fazer. E essa colaboração é fundamental na busca legítima dos povos indígenas para garantir a sua autonomia territorial associada à autonomia financeira de suas próprias organizações e de seus territórios.”

A participação de representantes de outros fundos comunitários reforçou essa perspectiva. Antônio Brito, diretor de projetos do Fundo Puxirum, avaliou que o planejamento permitiu uma troca importante sobre sustentabilidade e autonomia.

“Foi um momento muito rico, de muita aprendizagem, muita colaboração interna e externa, onde a gente pôde avaliar os parâmetros e a expansão do Fundo Podáali, onde ele já chegou e onde ele está chegando diretamente nas comunidades, nos territórios indígenas.”

 

A participação das mulheres indígenas também esteve presente nas discussões do planejamento. Inara Waty, do povo Sateré-Mawé e integrante do Conselho Deliberativo pela representação da UMIAB, destacou a importância de levar as demandas dos territórios para dentro do processo de construção estratégica.

“Estamos aqui nesse planejamento, trazendo as demandas da coordenação, trazendo as demandas dos territórios e, mais do que nunca, é celebrar essa primeira chamada que aconteceu dentro do Fundo Podáali, que foi para as mulheres da Amazônia Brasileira.”

Para Inara, fortalecer o acesso direto aos recursos significa também reconhecer o papel das mulheres na defesa dos territórios.

“São elas, são as mulheres que estão no território, são elas que também ajudam na autodemarcação, são elas que estão protegendo nossos leitos de rio, e esses recursos quando chegam dentro dessas comunidades, para nós, é um fortalecimento muito maior.”

Conselheira fiscal, Iranilde Makuxi

A participação dos diferentes segmentos e realidades dos povos indígenas também foi apontada como um dos desafios para o próximo ciclo. A Conselheira Fiscal do Podáali, Iranilde Macuxi destacou a necessidade de pensar estratégias capazes de responder às demandas de diferentes públicos, incluindo juventudes e mulheres.

“A gente tem feito um planejamento para quatro anos, pensando no Podáali como um fundo indígena, que foi criado pelos indígenas para atender à sua demanda através dos territórios.”

Já a Conselheira Deliberativa Marcilene Guajajara ressaltou a alegria de receber essa oficina em seu Estado, Maranhão, e destacou que vê o Podáali ainda mais fortalecido nos próximos anos.

“O meu sentimento para o Podáali daqui a quatro anos é que ele seja mais fortalecido, mais comprometido e com mais projetos nos territórios.”

Remando para o próximo ciclo

A oficina de Planejamento Estratégico 2027–2030 reafirmou a importância de uma construção participativa, envolvendo diferentes instâncias de governança, equipe, representantes de Fundos Comunitários e parceiros.

Para Mitore Cristiana, do Fundo Pakará, a experiência construída pelo Podáali também pode fortalecer outros mecanismos indígenas de financiamento.

“Esse planejamento estratégico é muito importante para nós, que fazemos parte dos fundos indígenas, de levar essa experiência do Fundo Podáali para outros fundos que nós temos atualmente. Nós temos o Fundo Pakará, e essa experiência vai fortalecer também esses fundos que nós temos na base, dentro do nosso território.”

O planejamento foi um exercício de reflexão, apontamentos de novos caminhos e pontuações do compromisso do Podáali com uma atuação construída a partir dos territórios e das demandas dos povos indígenas. A segunda etapa representa, assim, mais um passo firme na consolidação de um mecanismo financeiro indígena voltado à autonomia, ao fortalecimento das organizações, povos e comunidades, e à ampliação do acesso direto a recursos para os povos e territórios da Amazônia.

Sempre, “Por indígenas, para indígenas, com gestão indígena”!

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