Em um momento de consolidação e planejamento estratégico, o Podáali – Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, realizou, nos dias 10 e 11 de junho, a 12ª Reunião do Conselho Deliberativo. O encontro reuniu conselheiros, diretoria executiva e membros da equipe técnica do Podáali para avaliar resultados, fortalecer a governança institucional e projetar os próximos passos da organização.

A programação teve início com um espaço dedicado ao alinhamento institucional, à construção coletiva dos acordos de convivência e à aprovação da agenda de trabalho, reafirmando a importância da participação e do diálogo como pilares da atuação do Fundo. Também foram apreciados e aprovados os registros da 11ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo, fortalecendo a continuidade dos processos de tomada de decisão.

“O Podáali é fruto de uma luta coletiva e cada avanço alcançado é resultado do compromisso das nossas organizações, lideranças e territórios. Este encontro nos lembra que o Fundo não pertence a uma única instituição, mas a um movimento muito maior, construído pelos povos indígenas da Amazônia. Fortalecer a governança indígena é fortalecer a nossa capacidade de decidir sobre o presente e o futuro que queremos construir”, afirmou o presidente do conselho deliberativo do Podáali, Toya Manchineri. 

Em segunda participação no Conselho Deliberativo, Herton Mura ressaltou o sentimento de pertencimento e a importância de acompanhar de perto os processos que fortalecem a atuação do Fundo. “É inspirador ver esse trabalho acontecendo e perceber o quanto tudo é construído coletivamente. Esse é um caminho que vamos continuar fortalecendo juntos, sempre disponíveis para contribuir e apoiar esse processo”, disse. 

Herton Mura durante a 12ª Reunião do Conselho Deliberativo do Podáali. Foto: Karina Pinheiro / Podáali

Ao longo do primeiro dia, a Diretoria Executiva apresentou o Relatório de Atividades de 2025, destacando os avanços alcançados pelo Podáali, as ações desenvolvidas nos territórios e os resultados construídos. A reunião também foi marcada por um amplo debate sobre a prestação de contas do exercício de 2025, incluindo a apresentação da auditoria independente, do relatório financeiro e das recomendações emitidas pelo Conselho Fiscal.

Chico Apurinã em sua fala sobre o Podáali. Foto: Karina Pinheiro / Podáali

“São informações que perpassam nossos conhecimentos. São informações técnicas que circulam no meio jurídico e financeiro, e que nós temos o dever de analisar. No caso da auditoria, o papel dela é nos orientar e seguirmos aperfeiçoando o fundo a partir da recomendação técnica e do objetivo da instituição, que é o Podáali, sem esquecer que é diferente, para facilitar o repasse do financiamento ao território”, afirmou o conselheiro deliberativo, Chico Apurinã. 

No segundo dia, a reunião teve como foco o acompanhamento das iniciativas apoiadas pelo Podáali, promovendo um espaço de diálogo sobre a execução dos projetos, os desafios enfrentados nos territórios e as estratégias para fortalecer os processos de monitoramento e gestão.

Além da análise técnica e financeira, o encontro também abriu espaço para a apresentação de agendas conjuntas entre as organizações parceiras e alinhamento da participação dos conselheiros representando o Podáali nos espaços de diálogo. 

Para a diretora-executiva do Fundo Podáali, Valéria Payé, os avanços alcançados pela organização são resultado de um esforço coletivo construído diariamente entre conselheiros, equipe técnica, lideranças e organizações indígenas. “Os resultados que celebramos não são apenas do Podáali, eles pertencem ao movimento indígena. O Fundo é um mecanismo, um caminho que construímos juntos para fortalecer os territórios e potencializar as nossas causas. Nada disso seria possível sem a participação, o comprometimento e a confiança de cada organização que caminha conosco”, destacou. 

Valéria Paye, Diretora-executiva do Podáali. Foto: Karina Pinheiro/Podáali

Entre os principais destaques da reunião, esteve a aprovação, sem ressalvas, da prestação de contas do exercício de 2025. Também foram apresentados e aprovados o plano de atividades e o planejamento orçamentário para 2026, estabelecendo as diretrizes que irão orientar o trabalho do Fundo ao longo de 2026, em sintonia com as demandas e prioridades apontadas pelos territórios. 

Mais do que cumprir uma agenda institucional, o encontro representa um momento de encontro, escuta e construção coletiva. É dessa forma que o Fundo Podáali segue fortalecendo sua missão, apoiando os povos indígenas para que sejam eles próprios os protagonistas das decisões, das soluções e dos caminhos que desejam construir para seus territórios e para as futuras gerações.

Visita ao território

A programação da 12ª Reunião do Conselho Deliberativo também incluiu uma visita à Terra Indígena Governador, no Maranhão, onde os conselheiros puderam conhecer de perto a iniciativa “Nossa terra é nossa vida e nosso futuro”, desenvolvida pelo Coletivo de Agentes Ambientais Indígenas do Território Governador, formado pelos povos Gavião e Guajajara, no estado do Maranhão e apoiada pelo Podáali por meio do Prêmio Ciências Indígenas. A atividade proporcionou um momento de troca entre conselheiros, lideranças, equipe técnica e os responsáveis pela iniciativa, aproximando as discussões institucionais da realidade vivida nos territórios.

 

A visita ocorreu no dia 12 de junho, no Território Governador. Foto: Karina Pinheiro/Podáali

Durante a visita, as lideranças conheceram a trajetória do coletivo, as ações voltadas ao reflorestamento de áreas degradadas, o manejo do fogo e o trabalho realizado pelos Agentes Ambientais Indígenas na proteção territorial. Também houve um espaço de diálogo sobre os desafios enfrentados pelas comunidades, a importância da assistência técnica e as perspectivas para ampliar ações que unem conservação ambiental, transmissão de conhecimentos e fortalecimento da autonomia indígena.

Na ocasião, os conselheiros foram recebidos pela coordenadora da iniciativa, Talia Gavião, juntamente com membros da brigada na base de apoio, no território. A coordenadora deu as boas-vindas e mostrou a atuação de cada voluntário no processo de combate ao fogo e destacou a importância do Podáali no território, narrando os resultados. 

Talia Ribeiro Gavião, coordenadora da brigada voluntária visitada. Foto: Karina Pinheiro/Podáali

“O Podáali para nós foi uma novidade muito positiva, que é de indígena para indígena, e facilitou muito, porque nós, aqui do território, para conseguir um recurso, temos muitas dificuldades, e o Podáali praticamente deu a mão para a gente, e ficamos muito felizes por isso”, destacou Talia.

A visita materializou-se por meio de um ato simbólico durante a roda de diálogo da entrega do certificado de premiação para a iniciativa premiada, reconhecendo como um mecanismo de solução indígena para o enfrentamento da crise climática, fundamentado nas ciências indígenas, caminhando junto ao propósito do Fundo Podáali de atuar junto aos territórios, acompanhando de perto as iniciativas que nascem das próprias comunidades. 

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